quarta-feira, 18 de julho de 2012

Desapegando da Pressa

Se tem uma coisa que caracteriza nossa sociedade atual é a pressa. Vejo as pessoas ao meu redor correndo de um lado para o outro para dar conta de tudo que têm para fazer. Eu inclusa. Está todo mundo cansado o tempo todo, querendo férias, estressado e nervoso.

Para tentar controlar isso e logo melhorar minha saúde e meu sono, resolvi adotar algumas atitudes.

1. Sair 10 minutos mais cedo. 
É simples. Eu calculo o tempo que vou gastar para chegar no lugar na hora certa, acrescento 10 minutos e saio de casa nesse horário. Assim, não vou sair correndo, amaldiçoando os sinais de trânsito, costurando os carros, olhando o relógio, xingando a falta de vaga pra estacionar. Vou tranquila.

2. Fugir dos horários de pico. 
Na minha empresa, a jornada é flexível. Eu consigo então montar meu horário dentro de algumas limitações. Fiz testes e descobri que o ideal pra mim, obedecendo ao que a empresa pede, é chegar cedinho. Ir embora do trabalho é complicado, porque tem trânsito até umas 20h.  Então eu resolvi praticar corrida aqui do lado, enquanto espero o trânsito diminuir. Tenho uma colega que fez o mesmo, mas com a academia.

3. Dizer não. 
Dificílimo pra mim. Principalmente quando são pessoas queridas querendo encontrar, comemorar algo, sair pra jantar. Eu quase sempre fico com vontade de ir, e ainda tenho aquele impulso de querer sempre agradar que a gente ganha de brinde por ter sido criada como mulher. Mas a verdade é que não dá. Não dá pra sair pra uma balada de rock na quarta à noite tendo que trabalhar no outro dia 07:30h, não dá pra sair pra jantar com sua irmã no japonês rapidinho e depois ir no aniversário ao qual você já tinha prometido ir. Eu explico os motivos e as pessoas até insistem, mas os amigos e aqueles que te querem bem, vão entender um não ocasional.

4. Manter locais organizados.
É muito mais fácil e rápido achar algo quando você sabe onde ele está. A gente perde muito mais tempo procurando coisas do que gastaria se guardasse a coisa no lugar certo e, na hora que precisar, é só pegar. É um cálculo simples. Vale a pena.

5. Definir prioridades. 
Não tem como fugir. É o mais importante. Vai inclusive ajudar a dizer não, pois eu vou saber o que é mais importante pra mim. Mas isso é o mais complicado. Ainda tenho que trabalhar muito isso.

6. Programar tempos para não fazer nada. 
Se definir prioridades é o mais importante, a primeira prioridade é essa. Esses tempos não preenchidos são aqueles nos quais vou descansar, conversar com minha família, sair com um amigo, ler um livro, pensar. A gente precisa disso. A vida é isso.

Estou vivendo assim tem só uma semana e ontem, pela primeira vez em muito tempo, eu dormi bem. Analisando o que escolhi fazer, vejo que é até meio óbvio, mas a gente não pára para pensar e mudar a vida a não ser que tenha um empurrão, né? Pelo menos foi assim comigo...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Reconhecendo Limites

Tem uma coisa que a gente não consegue mudar: o número de horas em um dia.

Eu (e todo mundo) queria ter mais tempo para fazer mais coisas. É tanta coisa que eu queria fazer... Sair mais, ver mais filmes, visitar mais amigos, estudar outra língua etc. etc. Mas, apesar de filmes de ficção científica brincarem com a ideia de um clone, ou de viajar no tempo, isso ainda não é possível. Então o jeito é a gente se virar com essas 24 horas mesmo.

E já que o tempo é limitado e não vai dar pra fazer tudo, o segredo é escolher bem o que fazer com essas 24 horas diárias.

Mas é preciso ter cuidado e mudar uns paradigmas. A maioria dos artigos, dos cursos e dos livros buscam te ensinar como colocar o máximo possível de atividades em um dia. É o que chamam de administração do tempo.

Falam que você deve estudar enquanto almoça, escutar um áudio curso enquanto dirige, ler livros de negócios na fila do banco, ver o jornal enquanto toma banho, ligar pra conversar com os amigos enquanto está parado no trânsito. E eu caí nessa. E por isso estou aqui, cheia de stress, sem conseguir raciocinar direito, de mal com a vida e com problemas de saúde aos 31 anos. Tá tudo errado.

Estou cada vez mais convencida de que focar é a chave. É escolher o que é mais importante e se dedicar só àquilo, sem pressa, sem correria. É ter tempo para descansar entre uma atividade e outra e aproveitar a vida.

Estou me propondo então um exercício muito simples. Fazer cada coisa de uma vez, sem pensar na próxima coisa. Enquanto estiver almoçando, vou só almoçar. Enquanto estiver lendo uma notícia, vou lê-la inteira e não ler picado ao decorrer do dia. Se eu cansar de ler a notícia, não vou ler mais. Ponto. Enquanto estiver fazendo uma atividade de trabalho, vou deixar as janelas do MSN piscando, não vou me preocupar com as outras tarefas na minha agenda. Vou me entregar por inteiro àquela atividade e só depois que terminar passar para a próxima.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Diminuindo o Ritmo

É estranho precisar mudar e descobrir o que mudar quando você achava que estava fazendo tudo certinho. Mas, pensando e analisando bem, creio que o meu principal problema seja o excesso. Então vou começar por aí.

Nossa sociedade tem pregado muito o consumismo e o excesso. É sempre muita coisa pra ver, pra fazer, pra comprar, pra comer, pra curtir... É tanta coisa que não sobra tempo pra respirar. E a gente fica sempre correndo e sempre achando que não é o suficiente. E achando também que não é feliz porque ainda não viu, fez, comprou, comeu o bastante. Que se tentar um pouquinho mais, se dedicar um pouco mais ainda, a felicidade está logo ali. Estou desconfiando dessa fórmula.

Estou desconfiando que a gente é o ratinho que fica correndo e fazendo girar a rodinha para os outros (não sei quem seriam os outros... o capitalismo? a economia? os ricos? não sei...). A gente fica escravo. E sempre achando que precisa correr mais ainda. Bom... Não me parece muito racional.

Vou tentar então diminuir o ritmo, cortar excessos, ser mais simples. Desapegar de tanta coisa. Respirar mais e tentar aproveitar mais cada momento sem estar pensando e já planejando o seguinte.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Voltando ao Blog (ou Um Choque de Realidade)

Eu sempre me achei muito saudável, sabe? Como mais ou menos bem, não sou gorda nem magra, pratico esportes, não bebo muito, durmo cedo todos os dias... Tudo bonitinho, como mandam todas as matérias de auto-ajuda das revistas e também o discurso senso comum que se ouve por aí.

Qual não foi a minha surpresa ao ir ao médico pra ver se minha anemia estava controlada (não como carne) e descobrir que eu estava com gastrite. De quebra, descubro que estou 10 quilos acima do meu peso. Não parece absurdo?

Sempre achei que gastrite era coisa de viciado em coca-cola, de gente super estressada, de quem não come direito, de quem se entope de café... Bom... Achava que era coisa dos outros. Não tinha parado pra pensar no stress que anda a minha própria vida. Na correria que eu arrumo inclusive pra manter todo o esquema trabalho/estudo/esportes/vida social e dar conta dessa vida perfeita que vendem pra gente nas TVs, revistas e até discursos médicos. Em como meus ombros ficam retesados, e minha mandíbula também, quando eu enfrento esse trânsito dos infernos de cidade grande. Em como eu estou acordando várias vezes durante a noite quando, antigamente, eu dormia pesado e direto.

E confesso que não tinha pensado também em como minhas roupas não estavam servindo mais. Eu falava pra mim mesma que, com tanto esporte que pratico, logo logo eu ia naturalmente voltar a caber nas roupas. Eu achava que a trufa de chocolate que eu comia a tarde pra desestressar era apenas um pequeno excesso. Não tinha reparado que o stress tinha virado diário e logo a trufa idem.

Eu não quero ser essa pessoa. Eu não quero ter essa vida.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

O que eu acho das campanhas eleitorais

Votar é um negócio muito difícil porque (voltando inclusive ao post anterior) a gente nunca consegue conhecer direito os partidos e os políticos.

Para começar, de onde você tira as informações? A mídia é toda imparcial (e realmente não tem como não ser), os políticos dizem o que precisam dizer para serem eleitos e não o que acham ou que pretendem fazer de verdade, um fala mal do outro e como diabos você vai saber o que está falando a verdade?

É bom ter um pouco de memória, lembrar dos escândalos passados em que cada político se envolveu, saber as propostas que ele já apresentou e aquelas nas quais votou (o que não é muito fácil pois existe o voto secreto ainda por cima). Mas e aí? Vai que o cara sempre se posicionou de acordo com a sua ética e interesses como deputado, mas é entrar pra governador que tem que fazer coalisão, negociar com o demônio, pagar propinas e não sei mais o que.

Enfim... Eu, com minha opinião pouquíssima embasada, acho que o sistema eleitoral está todo errado. Também não tenho condições de sugerir mudanças. Também não acho que eu deva me alienar, não votar e falar que eu não tenho culpa de como as coisas estão por todos os motivos apontados acima.

Fico sinceramente perdida.

O que eu acho de achar alguma coisa

Eu confesso que tenho dificuldades em expressar opinião. Na verdade, eu sempre acho alguma coisa sobre algum assunto, mas como sei que não conheço a fundo tal assunto, acabo não falando nada.

Só que comecei a ver que isso não faz lá muito sentido. Primeiro porque eu acabo não dizendo o que penso, e dessa forma não recebo opiniões contrários e até mesmo complementares, que me ajudariam a evoluir a tal opinião.

Segundo ponto: se eu for esperar saber a fundo qualquer assunto, conhecer todas as variáveis envolvidas, ler todos os argumentos e poder formar minha opinião completamente embasada e infalível, eu nunca vou achar nada, porque é simplesmente impossível fazer isso tudo.

Claro que sempre tem alguns assuntos que entendemos mais. Eu posso falar com um pouquinho mais de embasamento de Gestão do Conhecimento (com que estudo e trabalho) do que de feminismo (que estou começando a estudar) e melhor de feminismo do que da situação dos palestinos e dos judeus (que eu não entendo nada e acho muito confuso). Mas mesmo lá da Gestão do Conhecimento, eu não conheço tudo, posso achar um monte de bobagens.

Eu acho legal saber um pouco mais do que se está falando, mas há limite, não é? E o que é fundamental mesmo é ter sempre em mente que o seu achismo ou opinião embasada que seja pode estar errada, ou incompleta, e estar sempre disposta para ouvir os outros, ponderar e ir assim evoluindo e podendo achar e opinar cada vez melhor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Capitalização da Corrida

Há alguns anos, para melhorar meu desempenho na capoeira, comecei a praticar corrida. Eu adoro correr. Acho o esporte mais democrático e acessível de todos. Você não precisa pagar um lugar, nem um professor. Pode ir sozinho ou acompanhado, a hora que quiser, onde quiser. Olha que liberdade... Qualquer um pode correr. É só colocar seu tênis (ou não... nem o tênis é pré-requisito) e ir pra rua correr. Simples, não?

Mas aí o negócio virou moda. E logo logo encontraram um jeito de ganhar dinheiro com corrida. Então, os ricos foram aderindo (até parece que eles iam fazer esporte de pobre). De repente, para correr "é preciso" ter um tênis de 500 reais, um monitor cardíaco de outros 500 reais (fundamental, dizem), frequentar cardiologista e nutricionista do esporte, participar de todas as corridas da Adidas, da Nike e de qualquer outra marca que resolva fazer corridas (e são muitas, viu? virou dinheiro fácil) por módicos 70 reais em média. Isso fora o ipod, o acessório para pregá-lo no braço, as garrafinhas de água, os shorts e as blusas de materiais carérrimos, os géis repositores de não sei o que.

Ah. E tem o personal runner. Quer coisa mais ridícula? Alguem pra te ensinar a correr? Como assim te ensinar a correr? A gente aprende isso lá com 2 anos de idade, não?

Bom... De repente, todo mundo da classe média (e um pouco acima) corre. E todo mundo entra fácil no esquema. Eu resisti, viu? Quase comprei o monitor cardíaco, mas cheguei à conclusão que eu consigo sentir se meu batimento está acelerado demais ou de menos. Meu coração está dentro de mim. Eu sinto ele batendo. Não preciso do aparelho para isto, certo?

Então continuo no meu esporte democrático e econômico.